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Champignon
a la crem
Esta é uma receita clássica
feita com um fungo clássico, Agaricus campestri,
o cogumelo de Paris. Tempos atrás, ainda no século
XX, nossos pais e avós só encontravam
este fungo em conserva. Felizmente, hoje em dia, o champignon
fresco pode ser encontrado facilmente. Importante notar
que há uma polêmica entre os aficionados
por culinária, quando se trata de lavar ou não
os cogumelos frescos. Uma corrente advoga que eles devem
ser lavados antes de integrarem a recita, outra, insiste
que lavar cogumelo é pecado por alterar o sabor
único e delicado. Quando muito, os puristas sugerem
limpá-los com papel toalha, mantendo-os sempre
secos. Entretanto, sabe-se que os cogumelos comestíveis
cultivados, crescem em matéria orgânica
autoclavada (geralmente fragmentos de madeira), portanto
a corrente de gourmets que é contra a lavação,
não deixa de ter razão...
Ingredientes para quatro pessoas
Uma bandeja com aproximadamente 250-300
g de champignon fresco, firmes e claros
Noz noscada
Uma cebola média
1-2 colheres de sopa de conhaque
250 g de creme de leite fresco
100 g de manteiga
Azeite de oliva
Sal a gosto
Material e métodos
Escolha bem os cogumelos, limpe-os
com papel toalha, cortando-os no sentido longitudinal
em grossas fatias. Reserve. Em uma panela ou frigideira
de fundo grosso, aqueça o azeite e jogue a cebola
picada. Quando começar a chiar, acrescente a
manteiga e deixe amolecer e amorenar, sempre mexendo
com colher de pau ou espátula de madeira. Em
seguida acrescente o Agaricus campestri, refogando-os
em fogo forte, até que comecem a verter água.
Apague o fogo, espalhe o conhaque e acenda um fósforo
para flambar. Finda a chama, acrescente o creme de leite
às colheradas e cuidando para que a consistência
final não seja espessa. Em fogo baixo e cuidando
para não ferver, acrescente a noz noscada ralada
e sal a gosto. Desligue o fogo e sirva na panela ou
frigideira usada para preparo. Acompanha pão
francês ou torrada e é claro, um tinto
de boa safra.
Bom apetite
Flavio de Queiroz Telles
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Risotti di fungi shiitake
Micologistas verdadeiros
usualmente aprenderam nas bancadas da vida a preparar
os mais variados meios de cultivo necessários
a isolar seu “público alvo” preferido.
A prática de preparar caldos e agares para isolamento
dos fungos muitas vezes se transfere para a culinária
e sofistica-se na gastronomia. Apresentamos uma receita
que combina Lentinus edodis,o cogumelo Shiitake e Oryzae
sativa, o arroz.
Material e métodos
60 g de Shiitake seco
200 g de Shiitake fresco em tiras
500g de arroz arbóreo ou carnaroli
03 colheres (de sopa) de cebola picada
Azeite extra virgem
01 cálice de vinho branco seco
125 g de manteiga
1 ½ xícara de queijo parmesão ralado*
2 L de caldo de legumes**
1 envelope de açafrão (opcional)
__________________________________________________
*Preferencialmente ralado grosso e na hora
**Melhor é preparar o caldo conforme a seguinte
fórmula, se der preguiça, vale usar 04
tabletes de caldo de legumes que serão diluídos
em 2 L de água.
Caldo de legumes: 03 L de água fria, e 100 g
( 1 xicara) dos seguintes legumes: tomate, salsão,
cebola, cenoura e vagem, todos cortados em pedaços
de médio tamanho, e cheiro verde. Junte tudo
em uma panela,e ao ferver reduza a chama, tampe e deixe
reduzir o caldo até 2/3 de seu volume. Retire
do fogo, peneire e mantenha quente para uso no risoto.
Amoleça o shiitake seco, por 20 minutos, em água
morna e corte-o em tiras. Doure a cebola no azeite e
na metade da manteiga, acrescentando o fungo seco em
seguida o fresco. Mexa e deixe refogar em fogo baixo
por alguns minutos e junte o arroz, seguido pelo vinho.
Aumente o fogo, deixe evaporar um pouco e vá
acrescentando com uma concha, o caldo de legumes, mexendo
de vez em quando, cuidando pra não grudar e sempre
verificando se não falta caldo. Sempre provando
a consistência do arroz, verificar se está
“al dente”. Se escolheu a opção
“açafrão”, é hora de
incorporá-lo. Chegado ao ponto de arroz “al
dente”, acrescente a manteiga, o queijo ralado,
misture delicadamente e apague o fogo. Sirva e bom apetite.
Mandatório para o bom risoto:
Use o arroz recomendado, sabendo que é pecado
mortal lavá-lo. O
caldo de legumes dá mais trabalho mas recompensa
divinamente. Use utensílios adequados (panela
que contenha bem o risoto e colher de pau).
Queijo ralado e vinho branco, devem ser de qualidade.
Finalmente, a arte do bom risoto é não
desgrudar do fogão, mexer de vez em quando, provar
sempre e não deixar grudar ou amolecer. O vinho
é por sua conta...
Flavio de Queiroz Telles
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Fungos,
vinhos e espumantes
Na micologia médica estamos acostumados a pensar
em fungos segundo duas categorias: as leveduras e os
fungos filamentosos. Na receita de risoto com fungos,
apresentada pelo Flavio Telles, vimos que diferentes
gêneros de fungos filamentosos podem ser utilizados
combinadamente, para produzir um prato saboroso.
E as leveduras? As leveduras são fundamentais
no preparo de muitos alimentos, incluindo pão,
queijos e bebidas alcoólicas. Os vinhos e os
espumantes se incluem neste grupo. Vários são
os fatores responsáveis pela qualidade do vinho,
mas os mais importantes são a qualidade e o tipo
de uva, e a levedura que é colocada para fermentá-la.
Existe um grande número de diferentes leveduras,
importantes no preparo de vinhos e espumantes. O Saccharomyces
cerevisiae, conhecido de muitos, é uma dessas
leveduras, e quando utilizado, gera produtos aromáticos
e frutados.
Nas degustações, aprendemos que “o
vinho está vivo” e “o espumante está
pronto”. O que isso significa? É que na
garrafa do vinho ainda resta substrato (açúcar)
e levedura. Assim, dependendo do momento em que abrimos
a garrafa, o vinho vai ter diferentes características,
pois ainda está amadurecendo na garrafa (está
vivo). Isso é extraordinário, porque traz
ao vinho uma conotação de exclusividade
daquele momento; uma mesa, pessoas em volta, e uma garrafa
de vinho, são uma combinação única,
irreprodutível e incomparável.
Já o espumante é fruto de duas fermentações.
No método clássico de produção
de espumantes (método champagnoise), a uva sofre
uma primeira fermentação no barril (fermentação
primária). Só que diferente do vinho,
uma segunda fermentação é efetuada
na garrafa. É esta fermentação
que produz o gás, tão típico dos
espumantes. Assim, quando compramos uma garrafa de espumante,
não há mais levedura ou substrato para
se processar a fermentação, e o vinho
é considerado pronto. Para cada uma das fermentações,
são utilizadas leveduras com características
diferentes. Por exemplo, uma levedura apelidada de “Premier
Curvee”, ou “Prise de Mousse”, age
rapidamente, e produz pouca espuma. É usada na
fermentação primária do espumante.
Já a levedura “Côte de Blancs”,
também chamada de Épernay II” (que
é do gênero Saccharomyces) resiste a baixas
temperaturas, fermenta lentamente e produz bastante
espuma. É utilizada na segunda fermentação
do espumante. Por isso, guardar uma garrafa de espumante
para ele “amadurecer” não faz sentido,
diferente do vinho.
Então, aproveite a receita do risoto com funghi.
Prepare-a com atenção, escolha um bom
vinho, e não se esqueça do grande detalhe:
escolha bem as pessoas que se sentarão à
mesa. Afinal, comida e vinho têm mais a ver com
o coração do que com o estômago.
Marcio Nucci
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